terça-feira
Em Porto Alegre a esquerda vota Maria do Rosário
Em 2004 eles conseguiram interromper este processo ao eleger Fogaça como Prefeito. No entanto, foi uma derrota eleitoral e não uma derrota política. O PT seguiu com força na cidade e com capacidades reais de voltar a administrar a Prefeitura. A direita sempre esteve ciente disto e não vacilou no ano seguinte, quando estourou a crise do Zé Dirceu/Roberto Jefferson, e tentou vincular todo o PT no “mar de lama midiático” que assolou o país.
O que não logrou êxito. A maioria do povo gaúcho na eleição seguinte, para o Governo do Estado, soube reconhecer que a trajetória do PT do Rio Grande do Sul era diferente, que havia uma experiência positiva na inversão de prioridades e na construção de políticas que buscavam estabelecer uma outra lógica através da participação popular. E com esta marca e reconhecimento, o PT conseguiu eleger a maior bancada de Deputados na Assembléia Legislativa e foi para o segundo turno com Olívio, quando todas as pesquisas apontavam um distante terceiro lugar. Ainda que não tenha saído vencedor, o resultado político foi importante para fortalecer o partido após a maior crise de sua história.
O que tem se comprovado nesta eleição, onde esta força partidária aliada ao bom desempenho do Governo Lula, colocaram o PT como franco favorito em diversas importante cidades no interior do Estado. Este resultado se confirmando, deverá colocar o PT em uma posição nunca antes atingida em termos eleitorais no RS.
Mas Porto Alegre não segue este roteiro. E a preocupação maior da direita do estado é exatamente esta: não permitir um retorno do PT a Prefeitura. Para isso adotou de todos os expedientes possíveis: “blindagem” da mídia ao fraco governo Fogaça, manipulação de pesquisas, poder econômico, deslocamento de setores da esquerda para a centro-direita (aliança PCdoB/PPS) e etc.
A resposta do PT demorou a acontecer, mas ainda não é tarde de mais. Ainda estão colocadas as condições reais de a Prefeitura voltar a ter um governo transformador. Para isso, terá que recorrer aquilo que sempre diferenciou o PT de outras experiências partidárias: a força de sua militância. Ainda que não seja a mesma de outrora, ela permanece como uma reserva política fundamental para oxigenar uma campanha que iniciou de forma “morna e apática” e nos coloque em uma situação mais favorável.
A única candidatura com viabilidade de derrotar o projeto conservador na cidade, que não possui vínculos algum com esta atual administração e que pode de fato representar um projeto de esquerda em nossa cidade, devido a trajetória e acúmulo de gestão é a candidatura do PT. A chapa encabeçada pela Maria do Rosário e o Marcelo Danéris representam a verdadeira construção da esquerda em Porto Alegre. É mostrando a diferença dos projetos em disputa que poderemos sair vitoriosos.
Agora cabe ao conjunto daqueles que acreditam que um projeto transformador não só é possível como necessário se coloquem com toda a sua energia e garra para estabelecer a vitória do projeto de esquerda em Porto Alegre. Tempo e condições para isto existem, agora é a hora da chegada, e não podemos nos furtar deste desafio.
sábado
Núcleos na JPT: uma opção militante e de base
Contudo, para constituir um processo que potencialize um maior e melhor enraizamento da JPT nos municípios é preciso ir para além deste congresso. Devemos garantir a continuidade do trabalho, de forma que este tema não vire apenas algo episódico em períodos de eleição de direções estaduais e nacional de juventude.
Um processo de construção orgânica e militante da JPT exige também a constituição de espaços cotidianos de militância e participação. Para que tenhamos uma juventude que não se resuma apenas aos seus espaços de direção, entendemos como vital estabelecer uma política de criação de núcleos de base da JPT.
Na sua fundação, a figura dos núcleos foi extremamente importante para que o PT consolidasse sua inserção nos mais diferentes setores, estreitando laços com os movimentos sociais, setores comunitários, categorias profissionais, etc. Isso porque neles se estabelecia um espaço onde qualquer filiado ou filiada poderia exercer sua militância de forma participativa e direta.
Na juventude devemos tomar este exemplo como uma possibilidade real de darmos o caráter militante que queremos para a nova organização da juventude. Os núcleos devem ser entendidos como elemento central, onde fugiremos da nossa atual lógica de funcionamento, muitas vezes engessada e descolada da vida real, permitindo uma construção coletiva que não se resumirá apenas a reuniões de direção.
É pela constituição de núcleos que daremos energia e vitalidade para a JPT realizar grandes campanhas públicas, com forte enraizamento social, de modo a incidir na conjuntura pela esquerda e fortalecer os laços sociais do partido no conjunto do/as jovens.
É também através dos núcleos teremos um espaço privilegiado de aproximação de jovens ainda não filiado/as ao PT, o que possibilita um trabalho com saldo político muito superior. Por meio dos núcleos cria-se um ambiente de real articulação pela base na definição de nossa tática. Como exemplo, para uma eleição de DCE ou Grêmio Estudantil, teríamos um processo de construção anterior que viabilizaria uma intervenção muito mais sólida e unificada no partido, por ser esta posição fruto de um debate efetivado cotidianamente pelos militantes daquele local.
Para se tornar uma realidade, deve haver um necessário empoderamento dos núcleos. A retirada e diminuição do seu poder decisório, na reforma estatutária de 2001, foi motivo central do seu gradativo esvaziamento político. Portanto, não é possível se pensar um processo de nucleação efetivo que não garanta uma efetiva capacidade de incidência destes sobre os rumos da JPT.
Neste sentido defendemos a criação de uma Plenária Nacional dos Núcleos, como a segunda instância de decisão da JPT, estando abaixo apenas do Congresso e ocorrendo em anos alternados a este. Deste modo, garantiremos um processo de permanente mobilização e debate da JPT.
Por tudo isso, defendemos que no I Congresso da Juventude do PT seja aprovada uma política nacional de construção e priorização política de núcleos da JPT. Somente com espaços de militância cotidiana e nos mais diferentes espaços é que avançaremos a um patamar militante superior e pela base na JPT, radicalizando a nossa democracia interna.
Erick da Silva é Secretário da JPT de Porto Alegre
domingo
Após as prévias, é hora da unidade no PT de Porto Alegre
Todos sabemos que processos internos como estes sempre geram traumas e fissuras internas, que se não forem bem trabalhadas podem gerar distanciamentos internos ainda maiores. Que é justamente o oposto que a conjuntura eleitoral exige do PT para disputar com chances de vitória.
Tem me causado surpresa, no entanto, as inúmeras manifestações de militantes e dirigentes partidários, apoiadores da Rosário, com tom provocativo e divisionistas nos últimos dias ao repercutir o resultado.
Apontam adjetivações contra os apoiadores do Rossetto (inclusive reproduzindo discursos da RBS) como o da vitória da "base" sobre os "caciques" e etc, para logo em seguida, reafirmar a necessidade de unidade. Adotando-se a tática do "bater com uma mão e afagar com a outra".
Prova disso é o boletim eletrônico do vereador Adelli Sell desta semana, onde após alfinetar com diversos argumentos provocativos, chama a tal falada "unidade", que chega a parecer, pelo tom das provocações anteriores, como um mero exercício de retórica.
Infelizmente, não é este um caso isolado, e nos causa tremenda preocupação. Afinal, como pode um determinado setor do partido querer, a partir de uma vitória por uma diferença de 56 votos, afirmar que não necessita da presença ativa da outra metade do partido para garantir a vitória do PT e do campo democrático e popular nas eleições? Ou será que a verdadeira motivação de alguns setores em apoiar a candidatura vitoriosa se dava apenas pela negação da candidatura oponente, em uma postura de puro sectarismo? Ou ainda será que a real motivação era impedir que se mantive-se o símbolo de Porto Alegre ser um local onde o PT conseguiu construir uma história virtuosa, distante do "ultra-pragmatismo" que assola o partido em outros locais (o exemplo mais gritante é São Paulo) e com isso retirar da esquerda este importante símbolo? Será por isso tal virulência em permanecer com uma postura de combate interno?
Espero que não. Espero que estas sejam posturas isoladas que não reflitam a política de todos os setores que apoiaram a candidatura da Rosário. Ela acredito que certamente não concorda com isso.
Acredito que, com responsabilidade e espírito coletivo condizentes com a história do Partido dos Trabalhadores nessa cidade, teremos plenas condições de superar tais problemas e construiremos a necessária unidade interna. Que não pode se tornar uma mera expressão vazia, mas uma real e solida construção política para sairmos vitoriosos novamente.
A esperança vai vencer o medo.Para ganhar e governar Porto Alegre.
Há praticamente 30 dias da data das prévias, o Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre vive um período de efervescência militante: debates, jantares, manifestos, emails, telefonemas, reuniões, buscam apresentar aos filiados(as) as pré-candidaturas de Miguel Rossetto e Maria do Rosário.
Neste cenário, predomina o bom debate político, a democracia interna, facilitados pelo alto nível das duas candidaturas. Isto não impede, no entanto, algumas situações onde as paixões se sobressaiam à razão, trazendo ao processo argumentos fora do tom ou até mesmo apelativos. Não é razoável, por exemplo, imaginar que militantes do PT possam ter "medo de Maria do Rosário", ou até de Miguel Rossetto. Medo tinha a Regina Duarte do Lula. E naquela época a militância do PT fez a esperança vencer o medo.
Tampouco é verdadeiro que as duas candidaturas são iguais e que a única diferença é o fato de Maria do Rosário estar à frente nas pesquisas eleitorais. Aliás, chega a ser ingênuo agarrar-se ao desempenho em "pesquisas eleitorais promovidas pela grande mídia", quando tantas vezes nosso Partido bradou publicamente contra este instrumento usado intencionalmente para prejudicar nossas candidaturas. E fundamental mesmo não é sair na frente. É, entretanto, chegar em primeiro com a maior vantagem possível.
Para esse resultado positivo importa, sim, a política de alianças que será desenvolvida, o programa de governo que será apresentado à sociedade e a capacidade de dialogar com os diferentes setores da população da cidade. São questões como estas que levam uma expressiva parte do PT – e não algumas forças – a apoiar a candidatura de Miguel Rossetto. Porque, antes de tudo, não basta ganhar Porto Alegre. Torna-se necessário garantir a vitória não de um nome, não de uma sigla, mas de um projeto político de esquerda, comprometido com a transformação social, com a participação popular e com a superação de todas as formas de desigualdade.
Nesse contexto, a trajetória política do companheiro Rossetto é uma contínua reafirmação destes princípios e das mais caras bandeiras petistas. Sendo assim, nesse quadro, não há resistência a candidatura de Maria do Rosário e sim uma preferência racional e consciente pela candidatura de Miguel Rossetto, que além de vínculos sólidos com Porto Alegre, contabilizou expressivas votações nas vezes em que concorreu a cargos eletivos. Rossetto,
Sem dúvida, o PT não é imune a cultura machista. O processo de superação das desigualdades de gênero dentro do PT tem sido mais lento do que muitos e muitas de nós gostaríamos, mas ele não está parado: tivemos duas companheiras na presidência da Câmara Municipal, duas companheiras na presidência interina do PT Estadual, temos uma Secretária-Geral no PT/RS, o campo que apoia do Miguel Rossetto elegeu mulheres presidentas em 3 importantes zonais de Porto Alegre no último PED e uma mulher disputando as prévias no PT de Porto Alegre. Ou nossa memória é tão curta que já esquecemos que todas as demais prévias foram disputadas por dois homens?
Portanto, respondendo a pergunta que não quer calar: ser mulher não é um problema no PT, mas tampouco é uma vantagem, é uma condição de desigualdade, reflexo cultural e social, que não se resolverá num passe de mágica, com um voto na urna no dia 16 de março. Mas em uma coisa concordamos: o PT necessita de uma candidatura capaz de unificar o conjunto do partido e de vencer a poderosa aliança conservadora em torno de Fogaça. Será histórico eleger o PT novamente para a Prefeitura de Porto Alegre, com o companheiro Miguel Rossetto. Sem medo de ser feliz!
Claudia Prates (Secretária de Mulheres do PT/POA)
Erick da Silva (Secretario da Juventude do PT/POA)
quinta-feira
Contribuição ao debate do Iº Congresso da Juventude do PT
Teremos neste semestre o Iº Congresso da JPT, que já nasce vitorioso por colocar a juventude no foco dos debates partidários. Toda a iniciativa que venha a tentar fortalecer o trabalho de juventude no Partido dos Trabalhadores já mereceria o nosso apoio, devido a todas as dificuldades que já enfrentamos e ainda temos no cotidiano da JPT.
Este documento pretende levantar alguns aspectos o papel que este congresso poderá ter e sobre alguns temas que julgo que devem ser colocados nas discussões que teremos. Longe de aqui querer ter a pretensão de esgotar este debate, que deverá ser o nosso foco principal no período imediato, mas dar a nossa contribuição para este momento histórico da JPT.
A conjuntura do Iº Congresso da JPT
O congresso nasce fruto de uma compreensão de amplos setores da JPT de que passamos por problemas e insuficiências organizativas e políticas que exigem uma resposta tanto da juventude quanto do conjunto do partido para a sua superação.
Agora nos encontramos as portas de sua realização, e vemos que os problemas e limites da JPT são apontados quase que de forma unânime no conjunto das posições colocas. No entanto, os motivos que levaram as atuais dificuldades e principalmente, as soluções para estes impasses são divergentes.
Para além dos debates específicos da juventude, boa parte das diferenças se assenta nas visões distintas que se tem de partido. E este não é um debate menor, como alguns podem querer fazer crer. Os problemas do PT oriundos da crise do “mensalão” em 2005 têm a sua raiz justamente nesta diferença de concepção partidária. As saídas para os impasses do PT ainda é uma disputa a ser travada, ao qual, com alguns reveses e avanços se coloca
Em síntese, não podemos de forma alguma cometer o erro de superestimar os resultados do congresso, por mais avançados que venham a ser, terão o seu grau de abrangência limitada pelas debilidades gerais do partido e seus reflexos na juventude. Friso isso, por mais obvio que poderá parecer para alguns, por julgar que não podemos cometer tal erro sob pena de gerar expectativas frustradas logo adiante.
Com isso não quero aqui cometer um erro recorrente neste ponto, que é de colocar todas as nossas dificuldades como decorrentes dos problemas gerais do partido. Que pese a conjuntura geral partidária, há limites que são decorrência direta de erros e insuficiências nossas da juventude. A tarefa da superação destes limites é sem dúvida o maior desafio do Iº CNJPT, e nós obtendo êxito, poderemos avançar para um cenário muito mais favorável para a nossa luta.
A disputa política
Nossa atuação deverá estar sintonizada com nossa estratégia geral de disputa de rumos do PT. Onde deveremos priorizar a construção do campo da Mensagem na juventude, de forma sólida e buscando construir uma política comum para o próximo período na JPT.
Devemos avançar nesta disputa construindo a nossa política sem sectarizar politicamente com as demais correntes, mas tendo nitidez em nossas posições para não escamotear a disputa de rumos do PT, e da JPT principalmente.
O nosso objetivo central deverá ser de avançarmos para uma JPT com identidade política marcadamente de esquerda, democrática e militante. Por óbvio não iremos construir uma “ilha da fantasia” isolada da realidade partidária, mas reafirmando no seu programa, identidade e forma de organização uma JPT que vá na contramaré e se afirme como um foco de disputa nos rumos gerais do partido para um projeto socialista. As condições para avançarmos nesta direção ainda não estão dadas. Mas temos condições de, principalmente tendo uma ação de forte visibilidade e dialogo com as bases da JPT, construir um amplo campo que venha a sair-se vitorioso no Iº CNJPT.
A principal diferença deste Iº CNJPT de outros encontros da JPT será sem dúvida o fato de a disputa de direção não ser o foco central deste espaço. O que pode propiciar um momento bastante rico e propositivo em formulação e elaboração. A construção de um programa político da JPT pode representar um grande avanço, superando uma longa debilidade nossa e poderá auxiliar para um novo patamar de debates internos e de unidade.
Deveremos ter muitas polêmicas e consensos a construir, outros temas também estarão no centro destes debates, e nas definições de um novo modelo organizativo repousa algumas destas grandes diferenças.
Algumas polêmicas
Não é de hoje que muitos/as companheiros/as vislumbram na experiência de outros partidos na juventude (principalmente no PCdoB/UJS) um exemplo a ser seguido pela JPT para superar os seus impasses. Essas visões se equivocam fundamentalmente por não levar em conta as diferenças que o PT representa com relação aos demais partidos de esquerda no Brasil e em boa parte do mundo. E estas diferenças tornam o desafio de consolidar a nossa construção na juventude ainda maior. Repetir experiências de culturas políticas distintas das nossas pode, na melhor das hipóteses, sair frustradas ou, o que é pior, gerar uma crise de identidade política ainda maior e de mais difícil reversão.
Neste sentido, algumas das polêmicas iniciais, acredito estarem perdendo espaço e em vias de “esquecimento”. Destaco o tema da filiação paralela na JPT, que foi levantado por alguns, como forma de “ampliar” o diálogo da JPT com simpatizantes e etc. Pelo descabido da proposta com relação à realidade e história do PT, vem perdendo espaço mesmo antes de iniciar o “quente” dos debates.
No entanto, outros temas de vital importância até o momento tem sido pouco debatidos. Como o tema do novo formato da direção da JPT. O atual modelo de Secretário/a mais os/as membros do respectivo coletivo tem se provado insuficiente. E pouco avançamos coletivamente em uma proposta de estrutura alternativa a atual.
A primeira das preocupações que temos de ter é de que a nossa nova organização interna seja capaz de efetivamente permitir um avanço em nossa construção. Que organize o conjunto de filiados/as jovens do partido para uma ação militante, que amplie o número de filiados organizando um conjunto de lutadoras e lutadores que simpatizam com nosso projeto. Pensar uma estrutura que possibilite uma ampla e democrática participação no cotidiano da JPT.
Isso se tornará realidade se tivermos capacidade de gerar mecanismos que possibilitem uma nova dinâmica interna. Devemos reafirmar a nossa aposta na criação de núcleos por área ou local de militância, como forma de aprofundamento da democracia interna e de fortalecimento de uma cultura militante.
Temos de superar também um outro problema que é o da “informalidade” no funcionamento interno. Como o estatuto do PT é um tanto quanto omisso sob diversos aspectos no tema das setoriais (que é o que regulamentava a JPT até o momento), sofremos de sérias fragilidades político-organizativas.
Hoje, tirando-se a figura do Secretário/a de Juventude, não há um padrão organizativo mínimo no nosso funcionamento interno. Cada estado ou cidade tem realidades e dinâmicas diferentes, o que acaba nos despotencializando. E a informalidade reside principalmente neste aspecto, que não havendo uma regra geral, não há também responsáveis pelas tarefas políticas (com algumas boas exceções) o que acaba por, ou ficar centralizado no Secretário/a ou com quem se disponibiliza no momento ou ainda, o que é o pior e muito freqüente, as tarefas se engessarem e ficando pendentes.
Temos de avançar para uma organização que supere estes limites, que tenha funcionamento interno e execute as tarefas com o dinamismo que a conjuntura e a luta exigem.
Um bom ponto de partida seria adotarmos um modelo com direção “executiva” na JPT. Onde todos/as os/as integrantes da instância teriam função política, afinal, não é mais razoável que uma JPT que pretende ser de massas e disputar a sociedade, não ter ninguém no coletivo responsável pela relação com os movimentos sociais, pela comunicação, pelas finanças etc. Não se criando uma estrutura rígida de funcionamento, muito pelo contrário, mas para garantir que a política seja conduzida de forma mais plural, com as diferentes representações internas, e possibilitando que tenhamos um dinamismo maior em nossa ação cotidiana.
Processo de eleições internas da JPT
Ao pensarmos como deverão funcionar as futuras direções da JPT devemos, por decorrência, debater como será a forma de eleição destas. Preliminarmente, o adiamento da data do Iº Congresso da JPT deverá atropelar um pouco as coisas. Pois paralelamente, teremos todas as tarefas de preparação de nossa intervenção nas eleições e ainda preparar a nossa mobilização para a disputa da JPT subseqüente.
Devido a isto, entendo como “a solução possível” a encontrada de realizar as eleições das novas direções da JPT após a etapa nacional. Já apontando as dificuldades que teremos pela proximidade com as eleições. Onde teremos uma disputa interna às portas de uma disputa maior que exigirá uma forte unidade interna nossa contra a direita. Isto posto, entendo que devemos afirmar este como um expediente excepcional e construir um processo de eleições posteriores com a participação direta dos/as filiados/as jovens nos Encontros Municipais e com realização debates políticos em todos os níveis.
A idéia de que o PED representaria a prova viva da “democracia petista” é uma fetichização perigosa, pior quando vinda de setores críticos a atual situação do PT. Nossa tradição política sempre teve uma postura crítica a esta maneira de escolha das direções partidárias. Nós travamos a disputa interna para reverter este processo, mesmo quando quase isoladamente. Seja em uma postura dura de críticas contundentes primeiramente, ou ainda buscando alternativas que minimizem as distorções gritantes deste processo. A nossa proposta de contribuição financeira mensal dos/as filiados/as vinha neste sentido. “Os números do PED, também, não autorizam afirmar que a eleição direta mobilizou mais e deu maior legitimidade aos eleitos. Pela proporção de delegados ao Encontro de BH/1999 teríamos, praticamente, o mesmo número de filiados participando nos Encontros Municipais, diretamente para estabelecer delegações estaduais e nacionais. (...) contrapor maior reflexão e complexidade a uma postura ufanista e pouco profunda, de que a eleição direta por si só nos trouxe um ganho de organização e de maior prestígio externo na sociedade. Queremos – além de não concordar com a tese do ufanismo – ressaltar a importância do conjunto das mudanças ocorridas no estatuto, tende a mudar o caráter do nosso partido.”[1]
Nossa experiência mais recente do último PED é prova definitiva das distorções deste processo. Vimos verdadeiras máquinas eleitorais serem montadas para operar o voto dos filiados. Casos de fraudes e irregularidades ocorreram em diversos locais, muitos municípios tendo suas eleições anuladas ou objeto de recursos, principalmente devido a ação dos fiscais da Mensagem ao PT.
Além de representar um retrocesso político para a juventude, que hoje, com todas as dificuldades, minimamente os nossos encontros municipais, estaduais e nacional garantem um mínimo de debate político. A saída para ampliarmos a participação e a nossa força política é construir para a próxima eleição um processo de criação e organização da JPT em um número maior de municípios (hoje temos um número muito aquém de nossas possibilidades) e para fazer este esforço ter um enraizamento maior, estabelecer como condição para participar do encontro estadual com direito a voto apenas delegações eleitas nos municípios. Com isso daríamos poder e força para as secretarias municipais e daríamos um grau de politização e organicidade maior para o processo de escolha das direções nos demais níveis.
Temos muitos caminhos possíveis para trilhar o futuro da JPT. O que estaremos construindo será sem dúvida o caminho das lutas e da esperança. O caminho de uma JPT que reencante lutadoras e lutadores para um partido a altura grandes desafios que teremos. Nada menos que isso.
Erick da Silva – Secretário da JPT de Porto Alegre
Janeiro de 2008
quarta-feira
Rossetto para um PT com coragem e vencedor
Tivemos no passado experiências de prévias que causaram sérios prejuízos internos e que devemos todas e todos nós trabalharmos coletivamente para não os repetir. Para isso devemos procurar garantir o mais qualificado, democrático e participativo debate em torno das definições da candidatura e programa a serem apresentados para a disputa eleitoral. Assim poderemos sair com um saldo extremamente positivo destas prévias e preparando o partido para a dura disputa que se apresenta.
Engana-se, no entanto, aqueles que acreditam que as prévias resumem-se apenas a uma corrida para ver quem tem mais “chances” para a disputa. Mas sim, devemos apontar a política a ser construída e disputada para a cidade. E isso não se constroe através de pesquisas ou outros instrumentos midiaticos usuais no sistema eleitoral tradicional. Mas através de nítidez e compromissos políticos, de uma trajetória vinculada as lutas e conquistas que o PT e o conjunto das forças populares construíram em Porto Alegre.
É nestes termos que se coloca de fato as prévias. Há diferenças políticas entre os campos que apoiam as duas candidaturas. Não vamos aqui nominar A ou B ou cair em adjetivações sobre estas diferenças, pois entendemos que este tipo de postura tende apenas a interditar o debate.
Mas isto também não quer dizer que não devamos fazer a discussão sobre as diferenças políticas que se colocam entre as candidaturas de Rossetto e Rosário. Se é verdade que ambos são quadros extremamente qualificados e com trajetória partidária, também é verdade que politicamente existem diferenças que devem ser explicitadas e colocadas em debate. São justamente estas diferenças que justificam a existência de prévias.
Na leitura sobre os rumos do PT, as diferenças de diagnóstico e perspectiva são muito nítidas. Algum desavisado (ou esperto) poderia dizer que não devemos falar em temas partidários em uma disputa de prévias, pois iremos definir o candidato para a prefeitura e que, portanto, deve-se restringir o debate a temas relacionados a cidade. Isto é um tremendo engano, pois não se deve descolar o debate eleitoral do debate político. Ainda mais tratando-se de Porto Alegre, onde enfrentaremos uma direita organizada e todo o cerco da mídia, onde o que fará a diferença é um partido que mobilize e envolva a sua militância. Além, é claro, de que fruto do processo de construção de cidadania e das lutas populares, o eleitor porto-alegrense tem se mostrado extremamente crítico e com um bom grau de politização. O que não nos permite que venhamos a ter uma postura vacilante e descaracterizada com relação a nossa identidade política.
O momento que se apresenta exige que tenhamos uma candidatura a Prefeitura que consiga simbolizar a identidade histórica de esquerda do partido na cidade, que reaproxime o PT de suas bases históricas e tenha coragem para responder a todas as grandes questões que se apresentarão para nós nessa dura disputa que se avizinha.
Queremos uma candidatura que tenha condições de, além de apresentar o conjunto do acúmulo político do nosso programa e propostas, que nos coloque na ofensiva no embate com a direita. Queremos um PT que não figure nas páginas policiais e represente uma alternativa real para a construção de um projeto socialista para a sociedade. É isto que esta centralmente em disputa nestas prévias, o resto é perfumaria e mero exercício de desviar o debate.
É por isso que estamos apoiando Miguel Rossetto nas prévias de 16 de março. Por queremos um PT com coragem para lutar e ousadia para vencer e transformar a cara de Porto Alegre novamente na capital da democracia e da inclusão.